Em 2014, a luta cresceu e o Partido reforçou-se

Ano de resistência e luta<br>pelos valores de Abril

No ano em que se assinalou o 40.º aniversário da Revolução de Abril, alargou-se e intensificou-se a luta dos trabalhadores e do povo português pelos seus valores e conquistas: nas empresas e locais de trabalho, contra as privatizações e em defesa do emprego, dos salários e dos direitos; nas aldeias, vilas e cidades, contra o encerramento ou desvalorização de escolas, centros de saúde e tribunais; nos campos, pelo direito a produzir; nas escolas, politécnicos e universidades, em prol do ensino público e de qualidade para todos; nas ruas, em grandes jornadas de convergência, exigiu-se o fim da política de empobrecimento, exploração e declínio nacional e afirmou-se a necessidade de romper com este rumo e de empreender uma alternativa que recoloque Portugal no caminho de progresso, soberania e justiça social que Abril mostrou ser possível.

Foram muitas e diversificadas as lutas travadas em 2014: umas atingindo uma grande dimensão e impacto, outras passando praticamente despercebidas para lá daqueles que nelas estiveram directamente envolvidos; todas, sem excepção, constituindo momentos ímpares de consciencialização e mobilização de vontades, energias e disponibilidades para dar mais força aos combates que se avizinham. Apesar da conjuntura adversa, foram muitas as lutas que redundaram em vitórias.

Dando alento a estas lutas – e reforçando-se nelas – esteve o Partido Comunista Português, que termina 2014 maior, mais forte, mais interventivo e mais prestigiado junto da classe operária, dos trabalhadores e das restantes classes e camadas antimonopolistas. Aliando o fortalecimento da organização à intensificação da intervenção política e da luta de massas, o colectivo partidário levou a cabo uma intensa actividade, afirmando, junto dos trabalhadores e do povo, a necessidade e possibilidade de uma política patriótica e de esquerda; construindo a unidade e convergência com organizações, personalidades e sectores democráticos e antimonopolistas; realçando a perenidade dos valores de Abril e projectando-os no futuro de Portugal; dando cumprimento às tarefas fundamentais de reforço orgânico, realizando dezenas de assembleias aos mais variados níveis, contactando com a generalidade dos membros do Partido, visando a elevação da sua militância, e recrutando cerca de 1500 novos militantes.

O ano que agora termina fica ainda marcado por um novo avanço eleitoral dos comunistas e seus aliados na CDU: nas eleições para o Parlamento Europeu, de 25 de Maio, a coligação que une comunistas, ecologistas e democratas sem partido subiu em número de votos, em percentagem e em eleitos, que passam agora a ser três.

Com este suplemento não se pretende, nem tal era possível, fazer um balanço fotográfico de um ano de duros combates travados pelos trabalhadores, o povo e o seu Partido. O que se procura é mostrar que em Portugal a luta se trava diariamente, que se alarga a unidade dos trabalhadores e destes com outras camadas sociais e que existe um Partido Comunista digno desse nome, que dá alento e sentido à luta popular.

 

Pelos direitos,
contra a exploração

Os trabalhadores ergueram, em 2014, uma poderosa barreira de resistência à exploração e empobrecimento a que os partidos da política de direita, o grande capital e a União Europeia os querem condenar. Reunidos no movimento sindical unitário, congregado na CGTP-IN, realizaram pequenas e grandes lutas, constituindo uma vez mais a grande força social de oposição à política de direita.

Respondendo a uma ofensiva violenta e generalizada, os trabalhadores e as suas organizações de classe combateram a privatização de importantes empresas nacionais e o desmantelamento de sectores estratégicos para o País, de que é exemplo o sector dos transportes, defenderam a contratação colectiva e os horários, exigiram o aumento de salários, o emprego com direitos e o cumprimento do princípio de que a um posto de trabalho permanente deve corresponder um contrato de trabalho efectivo.

 

Unidade e convergência

 A defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado motivou um conjunto largo de acções de protesto e luta um pouco por todo o País. Unindo num mesmo clamor profissionais e utentes das escolas, hospitais e centros de saúde, serviços de Segurança Social ou tribunais, nestas acções contestou-se a política de degradação dos serviços públicos e a tentativa de transformar direitos sociais universais em negócios privados.

2014 fica ainda marcado por uma das maiores manifestações de que há memória de reformados, pensionistas e idosos, convocada pelo MURPI, e pelas acções de luta dos agricultores, dos militares e dos profissionais das forças de segurança, das mulheres e dos estudantes dos ensinos Básico, Secundário, Profissional e Superior. Em destaque esteve também a luta pela paz, num ano em que se intensificou a ingerência do imperialismo em vários pontos do mundo e se reforçou a solidariedade com a luta do povo da Palestina.

  

Partido da luta e da alternativa

A afirmação da política patriótica e de esquerda foi uma das principais linhas de intervenção do PCP ao longo do ano, expressa em sessões públicas, comícios, acções de rua, encontros e reuniões. No âmbito da acção «A força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», que decorreu entre Setembro de Dezembro, o Partido levou mais longe a convicção de que há uma alternativa de progresso e soberania, que cabe aos trabalhadores e ao povo, com a sua luta, construir.

Mas este foi, acima de tudo, um ano de reforço da organização e intervenção partidárias: a realização de assembleias e o contacto com os membros do Partido permitiram superar obstáculos, revelar disponibilidades e responsabilizar quadros. O recrutamento de 1500 novos militantes é revelador da dimensão dos avanços alcançados. O lançamento da campanha de fundos para a aquisição da Quinta do Cabo é uma decisão audaciosa, reveladora da imensa confiança do Partido nos seus militantes e simpatizantes, nos trabalhadores e no povo.